História do Playcenter

As portas do Playcenter, o primeiro parque de diversões do Brasil, foram abertas em São Paulo, em 27 de julho de 1973. O parque de 50 mil m² de área tinha 20 atrações, entre brinquedos giratórios, teleférico, splash e a Super Jet, a primeira montanha-russa do país.

Alpha X-100
Playcenter/Divulgação
Alpha X-10, uma das atrações dos primeiros anos do Playcenter

O empreendimento pioneiro logo se tornou cartão postal da cidade. Além dos brinquedos, fizeram sucesso também apresentações como o Orca Show, uma de acrobacias de golfinhos e baleias em um tanque (1985 a 1986), o Show dos Ursos, em que atores vestidos de ursos cantavam e dançavam. Em 1988, foi realizada a primeira edição das Noites do Terror, que se transformaria no evento mais rentável do parque a partir da década de 1990.

O parque foi criado pelo empresário boliviano Marcelo Gutglas, inspirado nos grandes parques de diversões da Europa e dos Estados Unidos da década de 70. Com o passar dos anos, foram incorporadas à lista de atrações montanhas russas mais modernas.

Em 1997, a GP Participações, que detinha 50% das ações do empreendimento, assumiu o controle da empresa. Apesar da aposta, o setor de parques de diversões como um todo decepcionou investidores nos anos seguintes, principalmente por conta da forte desvalorização do Real em 1999. E o Playcenter estava no meio da crise. Em dezembro de 2001, o parque tinha uma dívida de R$ 145,3 milhões.

A controladora decidiu, em 2002, vender o empreendimento, e Gutglas, que estava afastado desde 1997, retomou a direção com o objetivo de revitalizar o parque, que não recebia investimentos desde 1998. Sua estratégia envolveu corte de custos, ampliação de eventos e mudança de foco do público dos adolescentes para a família, além da compra de novos brinquedos.

Acidentes
Os dois maiores acidentes da história do Playcenter aconteceram na década de 1990. No dia 10 de janeiro de 1995, o estudante Renan Eduardo de Carvalho Pereira, com 11 anos na época, escorregou por debaixo da trava de segurança de seu carrinho no brinquedo Space Loop (brinquedo de duas fileiras que giravam em torno do próprio eixo e de um eixo maior). Ele caiu de uma altura de 5 m, fraturou o crânio e o fêmur e ficou 14 dias internado (8 deles na UTI).

O brinquedo havia sido inaugurado cerca de 10 dias antes do acidente, após uma forte divulgação na TV e em outdoors. No dia 13 de janeiro, o parque foi fechado pelo Contru (Departamento de Controle e Uso de Imóveis) para vistoria dos brinquedos e reabriu dois dias depois. O Space Loop ficou interditado por 40 dias antes de ser reaberto.

Quatro anos depois, em agosto de 1998, o parque foi palco de um acidente fatal. O mecânico Fábio Montanheiro de Godói, com 22 anos então, morreu após ser atingido na cabeça por um carrinho da montanha-russa Boomerang. Ele era funcionário do Playcenter e fazia manutenção no local.

Em 2005, o Playcenter enfrentou uma nova perda: parte de sua área teve de ser cedida à prefeitura como pagamento de dívidas. O espaço, que chegou a ser de 110 mil m² nos tempos áureos, hoje é de 85 mil m².

Mas a estratégia de reestruturação, beneficiada com o bom momento da economia em 2007, seguiu em frente. Uma das novidades foi a revitalização de atrações antigas, como a Monga (teatro em que mulher vira macaco), hit dos anos 1990, para atrair saudosistas. O parque continua investindo em shows de bandas populares entre os jovens e nas Noites do Terror, evento mais esperado por visitantes e administração.

O parque não revela seu faturamento, mas recebeu um total de 1,5 milhão de visitantes em 2007 e espera manter esse número para 2008.