Força e motores

Na seção anterior, vimos que a pistola básica de água usa um pistão simples, uma bomba-cilindro e duas válvulas unidirecionais. Uma vez que a bomba é ativada pelo movimento do gatilho para trás e para frente, este projeto é razoavelmente limitado em termos de tamanho, amplitude e duração de seus jatos.

Uma solução fácil para este problema é aumentar o tamanho da bomba-cilindro e do gatilho. Esta é a idéia básica por trás das bazucas de água clássicas, como a que mostramos abaixo. Neste projeto, o mecanismo de gatilho não é realmente um gatilho, mas se parece mais com uma seringa. Essencialmente, o usuário segura a pistola em uma das mãos e o cilindro na outra. Para sugar água do reservatório, é preciso puxar o pistão e o cilindro, afastando-os um do outro. Para expelir a água, os dois são empurrados para trás, para se unirem novamente.


Isso cede um volume muito maior de água para cada tiro. Se empurramos o pistão para o cilindro com bastante força, podemos lançar a água a uma boa distância. Se empurramos um pouco mais devagar, podemos expandir a duração do lançamento. Algumas bazucas d'água não têm um reservatório de água anexado: para carregá-las, precisamos sugar água pelo cano, como se enchêssemos uma seringa.

Obviamente, este projeto exige muito mais trabalho de quem atira do que a pistola d'água tradicional, de modo que não é muito prático. Os anos 80 testemunharam a chegada da pistola d'água que tirava do usuário a maior parte do trabalho, na hora de brincar. No diagrama abaixo, você pode ver que essas armas funcionam basicamente do mesmo modo que a pistola d'água convencional, exceto que a bomba é operada por um pequeno motor, em vez de ser pelo gatilho. O gatilho é apenas um interruptor que completa um circuito elétrico, de modo que a bateria possa energizar o motor. O motor move uma série de engrenagens, que movimentam um pequeno eixo de transmissão. O eixo rotativo possui uma alavanca estendida que captura o pistão, puxa-o de volta e depois o libera, permitindo que uma mola o empurre à frente. Assim, o motor move o pistão para dentro e para fora do cilindro, puxando água do reservatório no movimento para cima e a impelindo pelo cano, no movimento para baixo.


Uma vez que a bomba é ativada por um motor rotativo, em vez de ser por um gatilho, o equipamento pode ter um tamanho de cilindro um pouco maior, sem dificultar o tiro. Isto estende um pouco a amplitude do jato. Entretanto, a vantagem real deste projeto é que o atirador não precisa bombear continuamente o ativador (gatilho) para esguichar água sem parar. Mantendo o gatilho para baixo, o motor continua bombeando, emitindo uma série rápida de esguichos, como o disparo contínuo de uma metralhadora.

Esses dois tipos de armas de água são avanços substanciais em relação à pistola tradicional, mas ainda apresentam limitações significativas. Disparar a bazuca exige bastante força muscular do atirador, e o fluxo motorizado de água emitido ainda é razoavelmente fraco. Na próxima seção, veremos o projeto da pistola d'água que revolucionou o setor, com jatos d'água que alcançam 15m ou mais.