Do livro para o filme

Como ocorre com qualquer projeto que transforma um livro em filme – especialmente um tão popular quanto esta série –, os cineastas devem considerar a qualidade da franquia e sua execução para não desapontar fãs ávidos dos filmes e livros anteriores de "Harry Potter". "Seria impossível incluir tudo. Precisaríamos de um filme com oito horas de duração", observa Yates. "Você certamente conserva o espírito da história e tenta manter seus detalhes favoritos, enquanto serve à mídia com a qual trabalha, que é muito diferente de um livro".

Heyman recorda que os filmes são vistos sob a perspectiva de Harry e "às vezes, cortamos coisas que não se relacionam com esse ponto-de-vista. Isso significa que perdemos certas coisas de Hermione, Rone e outras personagens. Entretanto, desde que capturemos o espírito dos livros, não há problema".

Nick Dudman, veterano dos filmes de Guerra nas Estrelas seu primeiro emprego foi de assistente do criador de Yoda – sabe, por experiência própria, que às vezes é impossível agradar os fãs mais ardorosos. "Algumas pessoas são tão obcecadas por determinado aspecto de algo, que apresentam uma visão absolutamente rígida, em branco e preto, de como deveria ser mostrado. Tudo o que podemos fazer é garantir que fomos fiel ao texto da história e que tudo está de acordo com a direção de arte do projeto".

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PRNewsFoto. Foto de Richard Young
J. K. Rowling, autora da série popular de Harry Potter

Felizmente, a escritora J. K. Rowling dispôs-se a oferecer aprovação e sugestões. "Ela é adoravelmente encorajadora", diz Yates. "Ela leu duas ou três diferentes versões do roteiro, foi muito positiva em todos os momentos e deu opiniões que escutamos com muita atenção, mas que jamais eram impositivas. Suas sugestões eram dadas do modo mais positivo possível. Rowling não é de se envolver, mas chegou a vir ao set de filmagens algumas vezes. Nós lhe mostrávamos alguns trechos que havíamos filmado e editado e ela se mostrava muito gentil e amável".

Interior da oficina de Dudman
A oficina de Dudman exibe, com destaque, lembranças como uma miniatura do Super-Homem do filme "Super-Homem II", um robô Guerreiro Mondoshawan de "O Quinto Elemento" e "uma estátua do Coringa porque eu fiz a maquiagem de Jack Nicholson para 'Batman' lado a lado com hipogrifos e outras criaturas de Potter. Nunca pensei que havia mais de um filme", diz ele, surpreso, esperando envolver-se até o fim do sétimo. "Eu não tenho um contrato; o que ocorre é que a cada filme eu fui chamado. Entretanto, não há garantias. Se o diretor for outro no número sete, ele poderá pedir outro profissional".

Um mundo mais rico
Com novos personagens como Dolores Umbridge e Luna Lovegood (Evanna Lynch) juntando-se aos rostos conhecidos de Harry (Daniel Radcliffe), Rone (Rupert Grint), Hermione (Emma Watson) e dos vários professores de magia, o mundo de Potter está mais rico que nunca em "Harry Potter e a Ordem da Fênix". "Eu adoro os efeitos visuais, mas o que dá certo nesses filmes – o que sempre funcionou – são as personagens", afirma Heyman, que prefere as cenas envolvendo Harry e Sirius Black.

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Daniel Radcliffe como Harry Potter e Katie Leung como Cho Chang na ficção da Warner Bros. Pictures, "Harry Potter e a Ordem da Fênix"
Para David Yates, a cena preferida é o momento "logo depois que Harry beija Cho, e ele senta-se com Hermione e Rone e esses lhe perguntam como foi o beijo. Em seguida, a preferida é a da guerra dos bruxos. Eu adoro cenas mais interiores e aquelas grandes cenas espetaculares". Na versão IMAX do filme, a batalha espetacular será mostrada em 3-D.

A cena favorita de Richardson é a seqüência de lançamento de fogos de artifíco dos Weasleys. "Na tela, os fogos aparecem não mais do que um ou dois minutos, no máximo, mas consumiram muitas semanas de testes, preparação e filmagens. Isso foi razoavelmente complicado para nós".