O processo de produção de Os Incríveis

A produção de "Os Incríveis" seguiu um processo familiar da Pixar. Vamos dar uma olhada.

Criar um filme animado envolve várias etapas cuidadosamente planejadas. Primeiro, a história é escrita e storyboards preliminares são desenhados para ajudar a contar as etapas iniciais da história visualmente. Os storyboards são então transformados em uma forma de animação preliminar: conhecida como "reels" ou "animatics", que permite aos cineastas fazer os ajustes finos nas seqüências antes de realmente animá-las.

Simultaneamente, o departamento de arte tem um duro trabalho, ilustrando cada detalhe físico final dos personagens individuais e o universo inteiro no qual eles existem enquanto também criam o design dos cenários, propriedades, prédios, superfícies e paletas de cores "virtuais". Depois que a história e o visual do filmes estão decididos, os atores são reunidos para gravar as vozes, dando aos personagens personalidades distintas, que são, por sua vez, usadas para inspirar o restante do processo criativo.

Depois, tem início o processo de transformar essas representações em 2-D em realidade 3-D. O primeiro passo é realizado pelo grupo de modelagem, que constrói os personagens e cenários no computador. A equipe de layout é fundamental na próxima fase: fazem os ajustes finais nos personagens e nas tomadas para criar ambientes que contarão a história transmitindo o melhor efeito. Em seguida, os personagens são completamente animados: movimento por movimento, tomada a tomada, e eles ganham vida com um amplo espectro de expressões, movimentos e emoções.

Nuanças de sombreamentos e iluminação digital completam a fase de produção, e o filme inteiro é renderizado. Na renderização, todas as informações que compõem o filme são traduzidas dos dados digitais para os quadros reais do filme. Finalmente, o filme é concluído de uma maneira muito similar a qualquer outro filme: via edição final, contagem e adição de som e efeitos especiais.

Desafios técnicos de "Os Incríveis"

Com "Os Incríveis", o diretor Brad Bird pediu para sua equipe da Pixar inovar, extrapolar e descobrir novas maneiras de levar esse processo a seus extremos mais criativos. De acordo com o produtor John Walker: "Esse filme começou com uma visão pessoal e uma paixão que contagiou toda a Pixar. É estimulante avançar, ser pioneiro em novas técnicas e convidar o público a participar de uma experiência que é tão emocional e divertida quanto inovadora".

Bird acrescenta: "Como diretor, já estou bem familiarizado com o que chamo de 'Olhar Vidrado Pixar', quando esses completos gênios técnicos ficam pálidos e começam a olhar uns para os outros com aquele olhar: 'Ele sabe o que ele está pedindo?', mas ninguém nunca desistiu. Cada problema encontrou uma solução que exigiu criatividade do filme. Esse é um testamento real para a Pixar de que eles continuaram a surgir com truques mágicos do nada".

No final, "Os Incríveis" levou todas as pessoas envolvidas nele em uma viagem imaginativa. "A criação de 'Os Incríveis' exigiu um tour de force", diz o produtor executivo John Lasseter. "Felizmente, nossa equipe na Pixar continua se tornando cada vez melhor. Quando você vê os personagens agindo nesse filme, e olha bem no fundo de seus olhos, você pode sentir o que está se passando dentro de suas almas. As sutilezas da animação de seus rostos e gestos de seus corpos são fantásticos. Você é cativado de tal forma pelos personagens e pela história que não pensa em qual gênero de filme ele se encaixa. Você simplesmente sabe que está assistindo a uma história maravilhosa".

Design de produção de "Os Incríveis"

Os cineastas primeiro decidiram construir o mundo ricamente estilizado de "Os Incríveis". O escopo do design desse mundo se mostrou sem precedentes. Desdobrado em mais de 100 cenários virtuais, um mundo que salta aos olhos, tanto futurista quanto nostálgico, foi criado.

"Eu vi o mundo de 'Os Incríveis' como se olhasse para o que achávamos que o futuro seria na década de 60", diz Bird. "Durante aquele período, havia todos aqueles programas que prometiam às pessoas que, em 10 ou 15 anos, todos nós teríamos jet packs ou usaríamos hydrofoils para viajar pela água e depois dirigir na terra. Isso não aconteceu dessa forma; assim, esse filme é a visão da década de 60 do que acreditávamos que a vida seria hoje".

Os departamentos de arte e design trabalharam bem de perto com o diretor para criar um visual suburbano monolítico estilizado do meio do século
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Os departamentos de arte e design trabalharam de perto com o diretor
para criar um visual suburbano monolítico estilizado do meio do século

Para ajudar a capturar esse visual "suburbano monolítico do meio do século" superespecial, o designer de produção Lou Romano e o diretor de arte Ralph Eggleston (o diretor vencedor do Oscar de melhor curta-metragem animado de 2002, "For the Birds", que trabalhou anteriormente como o designer de produção de "Toy Story" e "Encontrando Nemo") encararam a imensa tarefa de criar emoção humana por meio de formato e cor dos cenários. Eles pegaram emprestadas formas da arquitetura contemporânea e usaram cores para refletir sutilmente a história e o clima.

"O filme começa bastante claro e saturado durante a idade de ouro dos super-heróis, mas depois a cor se dilui quando descobrimos Beto trabalhando em seu emprego enfadonho", diz Romano. "À medida que o filme progride, acrescentamos mais cores até formarmos um ciclo completo para a grande cena da confrontação no final".

O supervisor de seqüência de cenário, Nigel Hardwidge, trabalhou juntamente com Romano e Eggleston para se certificar de que suas visões tinham sido claramente comunicadas à equipe técnica. Isso significou soluções para muitos problemas.

"Meu trabalho é fazer muitas perguntas sobre cada ambiente: como ele se parece, quanto dele nós veremos, qual o horário do dial e como vamos criá-lo de uma maneira que seja satisfatória para esses caras que sonharam com ele de forma tão maravilhosamente detalhada", explica Hardwidge. "Imediatamente percebemos que esse filme seria um empreendimento sem precedentes porque 'Os Incríveis' tem quase três vezes a quantidade de cenários de qualquer outro filme com o qual trabalhamos antes. Um dos primeiros grandes desafios foi a cena em que o Flecha disputa uma corrida através da selva para escapar do Velocipods. Flecha corre numa velocidade aproximada de 200 mph, o que significou que precisamos literalmente criar o dobro de terreno que havia sido originalmente planejado. Essa foi apenas uma seqüência, mas rapidamente percebemos o quanto esse projeto se tornaria colossal".

Com as dezenas de cenários concluídos, a próxima tarefa era a equipe de layout estabelecer o posicionamento, corte e sincronização de cada cena, e começar a transformar os desenhos em 2-D comuns em um mundo em 3-D. Para permitir a máxima flexibilidade criativa com a câmera e a ação do personagem, a Pixar mudou seu processo de layout típico para "Os Incríveis". Para filmes anteriores, a Pixar primeiro construía modelos detalhados dos cenários e depois descobria as posições da câmera, exatamente como um filme de ação.

Com esse filme, a Pixar fez as coisas ao contrário. Em uma das grandes cenas, ela filmou usando um simples modelo geométrico. Após o diretor aprovar a tomada, modelos mais complexos foram construídos para a câmera. Isso permitiu mais flexibilidade. Por exemplo: a cena da batalha final na cidade foi tão grande que não fazia sentido construir uma cidade e depois descobrir como filmá-la. Assim, a equipe da Pixar pré-visualizou a cena e depois filmou a ação. Somente depois os cineastas construíram um modelo final ao qual acrescentaram mais detalhes.

A partir de uma perspectiva de iluminação, "Os Incríveis" foi uma tarefa enorme em razão do número desproporcionalmente grande de cenários e tomadas: "Os Incríveis" teve quase 600 tomadas a mais que "Monstros S.A.". A equipe de iluminação também teve a intrincada tarefa de tentar criar esquemas de iluminação cinematográficas que proporcionaram o visual único do filme. Isso significou menos luz e mais contraste, como um thriller de ação ou uma história de aventura: algo que geralmente não é feito em animação. Isso deu à equipe uma chance de criar mais efeitos de iluminação delicados, que acrescentaram qualidade ao realismo fotográfico geral e ao impacto do filme. Por exemplo, existe uma seqüência na qual a Sra. Incrível está na sombra dentro de um carro, mas ainda há luz suficiente para ver seus olhos.

Na próxima seção, mostraremos como a animação funciona para criar personagens humanos realistas.