Nos últimos 20 anos, a Pixar levou os limites da animação computadorizada a novos níveis. E "Carros" foi um dos maiores desafios da Pixar até agora.
Criar as superfícies metálicas e pintadas dos personagens foi o maior desafio. Uma técnica de renderização algorítmica conhecida como "ray tracing" foi usada pela primeira vez para dar à equipe o visual e os efeitos desejados. "Como as estrelas de nosso filme são de metal, o diretor John Lasseter tinha um grande desejo de ver reflexos realistas, além de termos uma iluminação mais bonita do que nos filmes anteriores", disse o diretor de supervisão técnica Eben Ostby. "Antigamente, o mais comum era usarmos mapas de ambiente e outras tecnologias baseadas em matte para imitar reflexos. Mas em 'Carros', acrescentamos o recurso de 'ray-tracing' a nosso programa Renderman para aumentar o nível das coisas".
O "ray tracing" já é utilizado há anos, mas a equipe de renderização da Pixar inovou ao usá-lo em quase todas as cenas de "Carros". Jessica McMackin foi a responsável por renderizar as últimas imagens do filme, ao passo que Tony Apodaca teve de descobrir como reduzir o tempo de renderização. Além de criar reflexos precisos, o "ray tracing" também foi usado para outros efeitos, como sombras criadas por várias fontes de luz, oclusão (ausência de luz em um ambiente entre duas superfícies, como uma dobra em uma camisa) e irradiação (raios brilhantes de luz).
Outra grande inovação foi o sistema de travamento ao solo que mantinha os carros plantados de maneira firme na estrada. O supervisor de personagens, Tim Milliron, coordenou o grupo responsável por criar os modelos, equipar e dar os tons aos personagens, e escreveu o código desse programa. "O sistema de travamento no solo é uma das coisas das quais tenho mais orgulho nesse filme", disse Milliron. "Antigamente, os personagens nunca percebiam o ambiente ao redor, mas em 'Carros' esse sistema é incorporado aos próprios modelos, o que significa que o carro permanece grudado no chão ao se movimentar. Foi uma daquelas coisas que fazemos na Pixar e que sabemos que tem de ser feita, mas não temos nem idéia de como".
A equipe de Milliron também foi responsável pela multidão de carros no estádio nas seqüências de abertura e encerramento. Com 120 mil carros nas arquibancadas, foram as cenas com mais indivíduos já feitas na Pixar (ultrapassando em muito as formigas de "Vida de inseto"). E, para complicar a situação, todos os veículos eram animados.
Steve May, supervisor de efeitos de "Carros", garantiu o mesmo nível de detalhes para quase metade das 2 mil tomadas do filme. Entre os inúmeros efeitos criados para o filme, estavam nuvens de poeira deixadas pelos carros, marcas de pneus, marcas de derrapagem, água, fumaça.
Copyright Disney/Pixar. Todos os direitos reservados Vários profissionais da NASCAR se uniram à equipe da Pixar para criar "Carros"
A conexão com a NASCAR
Trazendo autenticidade ao elenco de "Carros" estão as performances vocais de alguns dos maiores nomes do mundo das corridas, incluindo Richard Petty, Mario Andretti, Dale Ernhardt Jr., Darrell Waltrip e Michael Schumacher. O veterano comentarista de jogos olímpicos e esportes Bob Costas emprestou sua voz ao personagem Bob Cutlass, o colorido narrador das corridas do filme. Tom e Ray Magliozzi (conhecidos como Click e Clack, os Irmãos Tappet), anfitriões do popular programa da NPR, "Car Talk" participam como os não tão desejáveis patrocinadores Rusty e Dusty Rust-eaze.
Para ajudar a capturar a emoção e animação das cenas de corrida dos filmes, Jeremy Lasky, diretor de fotografia e responsável pela câmera e layout, e sua equipe foram a várias corridas de carro e tiveram longas conversas com as pessoas que fotografaram esses eventos. O veterano diretor da Fox Sports Artie Kemper, um pioneiro na transmissão de corridas pela TV, mostrou ser outra fonte valiosa de informações.
Lasky disse: "O Artie realmente nos deu grandes dicas sobre onde normalmente colocaria suas câmeras na pista. E também falou de tomadas que gostaria de conseguir fazer. Fomos capazes de fazer várias coisas que são impossíveis para ele. Colocamos uma câmera debaixo do carro, no meio da pista, uma câmera elevada que desce e os carros passam bem por cima dela. Artie falou que gostaria de ter esses brinquedinhos também.
O posicionamento da câmera em "Carros" nos permitiu colocar o público bem no meio da ação. Nós os colocamos em um mundo com o qual já tinham familiaridade, e então mostramos uma avalanche de tomadas que nunca tinham visto. O filme tem momentos espetaculares nos quais os carros passam a dois milímetros da lente, algo impossível na vida real, e fizemos de um jeito que todo mundo acredita ser possível".
Como funciona o som
Para realçar o empate da corrida, o diretor John Lasseter sabia que precisava de uma grande música. Então, contratou seu colaborador de longa data Randy Newman, vencedor do Oscar de 2002 pela música "If I didn't have you", de "Monstros S/A". Em "Carros", Newman trabalhou no estúdio com uma orquestra de 110 músicos e gravou sessões com bandolim, violão e gaita para dar ao som a mesma qualidade do estilo americano bluegrass.
"Cada música criada por Randy Newman é totalmente diferente da anterior", disse Lasseter. "Ele consegue compor as músicas mais tocantes e as mais cômicas que você já ouviu. Além disso, é extremamente engraçado e inteligente. A música de Randy para "Carros" reflete dois mundos distintos: o mundo moderno, onde o que importa é ser rápido, e Radiator Springs, onde o que eles mais têm é tempo. Tudo é mais lento por lá, e Randy utiliza uma combinação de bluegrass, jazz e Americana pura para captar isso. Já o mundo das corridas tem uma forte dose de rock'n roll".
Na próxima seção, vamos apresentar todos os carros que fazem parte do filme.
Para citar corretamente este artigo do HowStuffWorks por favor copie e cole o texto abaixo:
Vicki Arkoff. "HowStuffWorks - Como funciona o filme "Carros"". Publicado em 13 de novembro de 2006 (atualizado em 20 de junho de 2008) http://criancas.hsw.uol.com.br/filme-carros3.htm (26 de novembro de 2009)