Discriminação nos escoteiros mirins

Os Boy Scouts of America há muito tempo recusam admitir ateus, meninas e homossexuais [fonte: Cloud and Rivera (em inglês)]. Embora a norma de excluir escoteiros e líderes homossexuais exista desde que o escotismo foi criado, ela não era muito conhecida até que dois processos judiciais notórios virassem manchete nas notícias nacionais dos Estados Unidos.

Em 2000, um processo movido por James Dale, ex Eagle Scout e subchefe de uma tropa de Boy Scouts demitido do posto por homossexualismo, chegou à Corte Suprema norte-americana. Dale alegava discriminação, mas a Corte Suprema federal reverteu uma decisão da Corte Suprema do Estado de Nova Jersey e estipulou que os Boy Scouts estariam autorizados a proibir homossexuais de comandar tropas. A corte argumentou que forçar a organização a aceitar homossexuais representava violação de seus direitos constitucionais de liberdade de associação e expressão [fonte: CNN (em inglês)].

Mas a decisão não pôs fim às contestações judiciais das normas dos Boy Scouts. Mais recentemente, em 2007, o governo municipal da Filadélfia (em inglês) ameaçou começar a cobrar aluguel da organização pelo espaço que ela ocupa, gratuitamente, em um edifício municipal desde os anos 20, a menos que os escoteiros alterassem suas normas discriminatórias contra os gays [fonte: Fox News (em inglês)]. Os Boy Scouts se recusaram a alterar suas regras.

Escotismo ao redor do mundo
O Boy Scouts of America é membro da Organização Mundial do Movimento Escoteiro, que congrega mais de 28 milhões de membros e está sediada em Genebra, na Suíça. O rápido crescimento do movimento escoteiro resultou na formação dessa entidade internacional, que inclui associações de escoteiros de 216 países e territórios.

Uma das mais fascinantes histórias recentes sobre o escotismo foi a retomada do programa dos  Boy Scouts no Iraque. O programa existia desde 1954, mas foi eliminado durante o governo de Saddam Hussein. Agora, com a ajuda de escoteiros norte-americanos, o programa foi retomado em um antigo campo de terror do Partido Ba'ath, que foi transformado em campo de escotismo. Há esforços de arrecadação de fundos em curso para transformar um quartel abandonado da polícia secreta em centro de recreação e aprendizado. As pessoas que comandam o programa pretendem, no futuro, enviar líderes de escoteiros iraquianos para treinamento nos Estados Unidos.

Quanto às meninas e aos ateus -- os dois grupos questionaram as regras do escotismo em determinados momentos. Nos anos 80, Catherine Pollard foi derrotada em um processo judicial contra os Boy Scouts ao contestar a proibição a que mulheres fossem líderes de escoteiros. Mas depois que a Corte Suprema de Connecticut (em inglês) acatou a posição dos escoteiros sobre o assunto, a organização alterou suas normas e hoje permite que mulheres liderem tropas de escoteiro [fonte: New York Times (em inglês)].

Os Boy Scouts também destituíram um líder de escoteiros muçulmano (não exatamente ateu), quando a tropa que ele dirigia foi integrada a um grupo de escoteiros da igreja presbiteriana. A lógica usada para a saída é que a agência que credencia os grupos -- igreja, escola ou outra organização -- tem a autoridade de aprovar ou negar o papel de liderança [fonte: Associated Press (em inglês)].

As notícias negativas prejudicaram a popularidade do escotismo? Difícil afirmar. Mas nos últimos 10 anos o número de membros do movimento vem caindo. No final de 2007,  havia 484 mil escoteiros a menos do que no final de 1997.

Que opções de escotismo restam a meninos que questionem sua sexualidade? As Girl Scouts  - bandeirantes - embora não discriminem com base em preferência sexual, não admitem meninos. Mas o Campfire Boys and Girls Club, que inicialmente só admitia meninas, começou a aceitar rapazes em 1974. O compromisso do grupo é firme: ele não discrimina por raça, religião, situação socioeconômica, deficiência física, orientação sexual ou qualquer outra área de diversidade.